SDR, Inside Sales, MQL, SQL, CAC: o que significam os principais termos de Marketing e Vendas
SDR, BDR, MQL, SQL, CAC, LTV, RevOps: o vocabulário de Marketing e Vendas cresceu rápido. Entenda o que cada termo significa, como se conectam e qual papel cada um exerce na jornada de conquista de clientes.
Por Eduardo Oliveira · 28 de outubro de 2026 · 12 min de leitura

Marketing e Vendas nunca tiveram tantas siglas.
- SDR.
- BDR.
- MQL.
- SQL.
- CAC.
- LTV.
- CRM.
- Inside Sales.
- Account Executive.
- Demand Generation.
- Revenue Operations.
Para quem trabalha diariamente nessas áreas, esses termos acabam entrando naturalmente no vocabulário. Mas, para quem está estruturando uma operação comercial ou começando a trabalhar de maneira mais integrada entre Marketing e Vendas, é fácil se perder.
O mais importante não é decorar as siglas.
É entender qual papel cada conceito exerce dentro do processo de conquistar, converter e desenvolver clientes.
ICP — Ideal Customer Profile
O ICP, ou Perfil de Cliente Ideal, define que tipo de empresa ou cliente possui maior aderência àquilo que você oferece.
Em negócios B2B, pode considerar características como:
- segmento;
- faturamento;
- número de funcionários;
- localização;
- maturidade;
- estrutura;
- necessidade;
- potencial de compra.
O ICP ajuda a empresa a evitar um dos erros mais comuns em Vendas:
tentar vender para todo mundo.
Quanto mais claro o cliente ideal, maior tende a ser a eficiência da prospecção.
Persona
Persona e ICP não são exatamente a mesma coisa.
O ICP normalmente descreve a organização ou perfil de cliente ideal.
A persona busca compreender a pessoa envolvida na decisão.
- Quem é?
- Qual cargo ocupa?
- Quais problemas enfrenta?
- O que influencia sua decisão?
- Quais são suas objeções?
Em uma venda B2B, por exemplo, o ICP pode ser uma empresa de determinado porte, enquanto as personas podem ser o Diretor Comercial, o CEO ou o Head de Marketing.
Lead
Lead é uma pessoa ou empresa que demonstrou algum nível de interesse ou que entrou no radar comercial.
Pode ter preenchido um formulário.
Baixado um conteúdo.
Respondido uma campanha.
Visitado um evento.
Entrado em contato.
Ou simplesmente ter sido identificado por uma estratégia de prospecção.
Mas nem todo lead é uma oportunidade.
É justamente por isso que existe qualificação.
MQL — Marketing Qualified Lead
MQL significa Marketing Qualified Lead.
É um lead que, de acordo com determinados critérios, possui sinais suficientes para ser considerado qualificado pelo Marketing.
Pode ter o perfil adequado e demonstrado determinado comportamento.
Por exemplo:
- baixou materiais;
- visitou páginas importantes;
- solicitou informações;
- interagiu diversas vezes com a empresa.
O MQL está dizendo:
"Existe alguma indicação de interesse aqui."
Mas isso ainda não significa que exista uma oportunidade comercial real.
SQL — Sales Qualified Lead
SQL significa Sales Qualified Lead.
É quando o lead já passou por uma avaliação comercial e existem indícios concretos de oportunidade.
Pode existir necessidade.
Orçamento.
Momento adequado.
Autoridade para decisão.
Interesse em avançar.
A passagem de MQL para SQL é um dos pontos em que Marketing e Vendas precisam estar muito bem alinhados.
Se Marketing considera qualquer contato um MQL, Vendas recebe leads ruins.
Se Vendas exige um cliente praticamente decidido para considerar um SQL, Marketing dificilmente conseguirá entregar volume.
Os critérios precisam ser construídos em conjunto.
Lead Scoring
Lead Scoring é um sistema de pontuação utilizado para identificar quais leads possuem maior probabilidade de avançar.
A empresa pode atribuir pontos de acordo com:
- perfil;
- cargo;
- empresa;
- interações;
- conteúdos acessados;
- frequência;
- intenção demonstrada.
O objetivo é ajudar Marketing e Vendas a priorizarem melhor.
SDR — Sales Development Representative
O SDR é um dos cargos que mais aparecem nas estruturas comerciais atuais.
Sales Development Representative é o profissional responsável, geralmente, por qualificar oportunidades antes que elas sejam encaminhadas para quem efetivamente conduzirá a negociação.
O SDR conversa com o potencial cliente, entende o contexto, identifica necessidade e avalia se existe aderência.
Seu objetivo não necessariamente é fechar a venda.
É identificar se aquela conversa merece avançar.
Em uma operação bem estruturada, o SDR evita que vendedores mais seniores gastem grande parte do tempo com oportunidades pouco qualificadas.
BDR — Business Development Representative
SDR e BDR às vezes são utilizados como sinônimos.
Mas algumas empresas fazem uma diferenciação.
O SDR costuma trabalhar mais com leads que já tiveram algum contato com a empresa.
O BDR pode atuar de maneira mais outbound, buscando novas empresas e abrindo oportunidades.
Na prática, a definição varia bastante de organização para organização.
Por isso, mais importante do que o título é compreender a função.
Outbound Sales
Outbound é a prospecção ativa.
A empresa identifica quem deseja alcançar e inicia o contato.
Pode acontecer por:
- telefone;
- LinkedIn;
- e-mail;
- WhatsApp;
- eventos;
- indicações;
- prospecção direta.
É a empresa indo atrás do potencial cliente.
Inbound Marketing
Inbound trabalha na lógica contrária.
A empresa cria conteúdo, presença digital, mídia, materiais, eventos ou outras iniciativas para atrair potenciais clientes.
A pessoa encontra a marca, demonstra interesse e entra no funil.
Em vez de apenas procurar clientes, a empresa cria condições para ser encontrada por eles.
Na prática, boas operações frequentemente combinam inbound e outbound.
Inside Sales
Inside Sales significa realizar vendas de forma remota.
O processo acontece principalmente por telefone, videoconferência, e-mail, WhatsApp ou outras ferramentas digitais.
Não significa necessariamente uma venda simples.
Existem operações de Inside Sales vendendo soluções bastante complexas e de alto valor.
A principal diferença está no modelo de interação.
Field Sales
Field Sales é a venda realizada com presença física.
É o modelo tradicional de vendedores visitando clientes, realizando reuniões presenciais, negociando no território ou atendendo contas estratégicas.
Em muitos negócios, Inside Sales e Field Sales convivem na mesma estratégia.
Account Executive — AE
O Account Executive normalmente é o profissional responsável por conduzir a oportunidade qualificada até o fechamento.
Se o SDR abre e qualifica a conversa, o AE assume a negociação.
Entende necessidades em maior profundidade.
Apresenta a solução.
Negocia.
Constrói proposta.
Gerencia objeções.
E busca o fechamento.
Hunter e Farmer
Esses dois termos representam perfis comerciais diferentes.
O Hunter é o caçador.
Seu papel é conquistar novos clientes.
Prospectar.
Abrir portas.
Gerar novas contas.
O Farmer trabalha sobre a base existente.
Desenvolve relacionamento.
Busca renovação.
Expansão.
Cross-sell.
Up-sell.
Um profissional pode ter as duas habilidades, mas as organizações costumam separar essas responsabilidades conforme crescem.
Cross-sell e Up-sell
Cross-sell acontece quando oferecemos produtos ou serviços complementares.
Up-sell ocorre quando buscamos levar o cliente para uma solução de maior valor.
Imagine uma empresa que vende um software.
Oferecer um módulo complementar é cross-sell.
Migrar o cliente do plano básico para o premium é up-sell.
Ambas as estratégias ajudam a aumentar o valor gerado pela base atual.
Pipeline
Pipeline representa as oportunidades comerciais existentes e os estágios em que elas se encontram.
Por exemplo:
Prospecção → Qualificação → Diagnóstico → Proposta → Negociação → Fechamento.
O pipeline permite responder:
- Quanto temos em oportunidades?
- Em quais etapas?
- Com quais probabilidades?
- Qual receita podemos esperar?
Uma operação comercial que não acompanha pipeline possui pouca previsibilidade.
Funil de Vendas
Pipeline e funil estão relacionados, embora não sejam exatamente iguais.
O funil mostra como o volume diminui conforme as oportunidades avançam.
Por exemplo:
- 1.000 leads
- 200 qualificados
- 80 reuniões
- 30 propostas
- 10 vendas.
Essas conversões ajudam a identificar gargalos.
Se muitos leads entram e poucos chegam à reunião, existe um problema.
Se muitas propostas são feitas e poucas fecham, existe outro.
Taxa de conversão
É a porcentagem de pessoas ou oportunidades que avançam de uma etapa para outra.
Pode ser:
- visitante → lead;
- lead → reunião;
- reunião → proposta;
- proposta → venda.
Entender conversão permite sair do "precisamos vender mais" para uma análise muito mais útil:
em qual parte do processo precisamos melhorar?
CRM — Customer Relationship Management
CRM pode representar tanto a filosofia de gestão do relacionamento quanto os sistemas utilizados para organizar esse relacionamento.
Na prática, ferramentas de CRM ajudam a registrar:
- clientes;
- oportunidades;
- interações;
- tarefas;
- pipeline;
- histórico;
- próximos passos.
Mas existe um cuidado importante:
CRM não é metodologia comercial.
Uma ferramenta não resolve um processo mal construído.
Primeiro vem a lógica comercial.
Depois a tecnologia.
CAC — Customer Acquisition Cost
CAC significa Custo de Aquisição de Cliente.
É quanto a empresa investe para conquistar um novo cliente.
De forma simplificada:
Investimento em Marketing + Vendas ÷ número de novos clientes.
Quanto mais eficiente o processo comercial e de Marketing, melhor tende a ser essa relação.
LTV — Lifetime Value
LTV significa Lifetime Value.
Representa quanto valor um cliente gera ao longo de todo o relacionamento com a empresa.
Uma empresa pode ter um CAC relativamente alto e ainda possuir uma excelente operação se o cliente permanecer por muitos anos e gerar bastante receita.
Por isso CAC e LTV precisam ser observados juntos.
Churn
Churn é a perda de clientes.
Se uma empresa começa o período com 100 clientes e perde 10, existe uma taxa de churn associada a essa perda.
Crescer conquistando novos clientes enquanto muitos antigos vão embora pode ser uma estratégia extremamente cara.
Por isso retenção importa tanto quanto aquisição.
Nurturing — Nutrição de Leads
Nem todo potencial cliente está pronto para comprar imediatamente.
Nutrição é o processo de manter relacionamento ao longo do tempo.
- Conteúdo.
- E-mails.
- Casos.
- Eventos.
- Informações relevantes.
A ideia é ajudar o potencial cliente a avançar até o momento em que a compra faça sentido.
Demand Generation
Demand Generation, ou geração de demanda, é uma abordagem mais ampla do que simplesmente gerar leads.
Busca aumentar interesse e desejo pela categoria, solução ou empresa.
Pode envolver:
- conteúdo;
- marca;
- eventos;
- mídia;
- educação;
- influenciadores;
- relações públicas;
- campanhas.
Nem toda ação de Marketing precisa gerar imediatamente um formulário preenchido.
Às vezes, ela precisa fazer o mercado querer aquilo que você vende.
Lead Generation
Lead Generation é mais específica.
Busca capturar contatos de potenciais clientes.
- Landing pages.
- Formulários.
- Materiais ricos.
- Eventos.
- Anúncios.
- Webinars.
É uma parte possível da geração de demanda, mas não representa toda a estratégia de Marketing.
Landing Page
Landing Page é uma página construída normalmente para uma ação específica.
- Baixar um conteúdo.
- Solicitar orçamento.
- Fazer inscrição.
- Comprar.
- Agendar conversa.
Quanto mais clara a ação esperada, melhor tende a ser sua capacidade de conversão.
CTA — Call to Action
CTA significa Call to Action.
É a chamada que direciona o usuário para uma ação.
- "Fale com um especialista."
- "Solicite uma demonstração."
- "Baixe agora."
- "Conheça a solução."
Uma comunicação pode gerar interesse e ainda perder resultado se o próximo passo não estiver claro.
CRO — Conversion Rate Optimization
CRO significa Conversion Rate Optimization.
É o trabalho de melhorar taxas de conversão.
Pode envolver testar:
- páginas;
- formulários;
- mensagens;
- botões;
- ofertas;
- fluxos;
- argumentos.
Nem sempre precisamos gerar mais tráfego.
Às vezes precisamos converter melhor aquilo que já temos.
ROAS e ROI
ROAS mede o retorno sobre investimento em mídia.
Se investimos R$ 10 mil em anúncios e geramos R$ 50 mil de receita atribuída, temos uma relação de retorno sobre aquele investimento publicitário.
ROI é um conceito mais amplo de retorno sobre investimento.
A diferença é importante porque uma campanha pode apresentar bom ROAS e ainda assim o resultado econômico final do negócio não ser tão interessante quando outros custos são considerados.
ABM — Account-Based Marketing
ABM significa Account-Based Marketing.
É muito utilizado em negócios B2B.
Em vez de realizar uma comunicação ampla esperando encontrar clientes interessados, a empresa escolhe contas específicas que deseja conquistar e constrói estratégias direcionadas para elas.
Marketing e Vendas trabalham juntos sobre empresas prioritárias.
É quase o oposto da lógica de volume.
Sales Ops
Sales Operations é a estrutura que ajuda a operação comercial a funcionar melhor.
Pode cuidar de:
- processos;
- dados;
- CRM;
- territórios;
- metas;
- relatórios;
- forecast;
- produtividade.
Enquanto vendedores estão focados em vender, Sales Ops trabalha para tornar o sistema comercial mais eficiente.
RevOps — Revenue Operations
RevOps amplia essa ideia.
Revenue Operations busca integrar Marketing, Vendas e Customer Success em torno de uma mesma lógica de receita.
Em vez de cada departamento otimizar seu próprio pedaço, a organização passa a olhar para a jornada completa:
Aquisição → Conversão → Retenção → Expansão.
É uma abordagem bastante alinhada com uma visão mais moderna de crescimento.
Go to Market — GTM
Go to Market é a estratégia utilizada para levar uma oferta ao mercado.
Envolve perguntas como:
- Para quem vamos vender?
- Qual problema resolvemos?
- Qual nossa proposta de valor?
- Que canais utilizaremos?
- Como geraremos demanda?
- Como venderemos?
- Qual será o preço?
- Como mediremos resultado?
Go to Market conecta Marketing, Vendas, Produto e negócio.
Afinal, por que tantos termos?
Esses nomes surgiram porque as operações de Marketing e Vendas ficaram mais especializadas.
Quando a empresa cresce, uma única pessoa dificilmente consegue prospectar, qualificar, vender, atender, gerar conteúdo, comprar mídia, analisar dados e desenvolver clientes com a mesma eficiência.
Os papéis começam a se especializar.
Mas existe um risco.
Criarmos estruturas sofisticadas demais para problemas simples.
Não adianta ter SDR, BDR, CRM, RevOps, ABM e dezenas de dashboards se ninguém consegue explicar claramente:
- Quem é nosso cliente?
- Que problema resolvemos?
- Como geramos oportunidades?
- Como vendemos?
- Por que perdemos?
- Como mantemos clientes?
O método vem antes da sigla
No final, todos esses conceitos deveriam servir ao mesmo objetivo:
construir um processo mais consistente entre mercado, empresa e cliente.
Os termos ajudam a organizar responsabilidades.
As ferramentas ajudam a ganhar eficiência.
Os indicadores ajudam a enxergar problemas.
Mas nenhum anglicismo substitui fundamentos.
- Conhecer o cliente.
- Construir uma boa proposta de valor.
- Prospectar.
- Escutar.
- Resolver problemas.
- Criar confiança.
- Fazer follow-up.
- Entregar.
- Medir.
- Aprender.
- Melhorar.
Porque podemos mudar os nomes das funções e utilizar metodologias cada vez mais sofisticadas.
Mas a essência continua bastante simples:
Marketing ajuda a criar demanda e valor percebido. Vendas transforma esse valor em decisão. E uma boa operação conecta os dois lados de forma organizada, mensurável e repetível.